Infectologista alerta para leptospirose, hepatite A e gastroenterites após contato com água contaminada e orienta cuidados imediatos
As enchentes que atingem áreas urbanas e rurais não provocam apenas prejuízos materiais. O contato com a água contaminada pode expor a população a uma série de doenças infecciosas, algumas com potencial de gravidade. Segundo o médico infectologista da Hapvida, Guilherme August, a água das inundações representa um ambiente propício para a transmissão de agentes patogênicos.
O especialista explica que há uma lista de doenças mais comuns nesses cenários. “As mais frequentes são leptospirose, hepatite A, gastroenterites infecciosas, tétano, infecções de pele e tecidos moles, além de arboviroses como dengue, zika e chikungunya, que aumentam após enchentes devido à proliferação do mosquito”, afirma.
De acordo com Guilherme Augusto, o risco está diretamente relacionado à composição da água. “Essa água é considerada altamente contaminada: mistura esgoto, urina de roedores, lixo, produtos químicos e microrganismos patogênicos. Pequenas feridas na pele ou contato com mucosas já são suficientes para permitir a entrada desses agentes no organismo”, diz o infectologista.
Entre as doenças associadas às enchentes, o médico reforça que a leptospirose continua sendo a principal preocupação. “Ela é transmitida pela urina de ratos presente na água da enchente e pode evoluir rapidamente para formas graves, com insuficiência renal, hemorragias pulmonares e risco de morte se não tratada precocemente”, alerta.
O especialista destaca que os sintomas iniciais podem ser confundidos com outras infecções, como gripe, por exemplo. “Os sinais geralmente incluem febre, dor de cabeça intensa, dor muscular, náuseas, vômitos, diarreia, olhos avermelhados e cansaço extremo. Na leptospirose, esses sintomas podem parecer uma ‘gripe forte’ no começo”, explica.
O período de incubação também exige atenção. Normalmente os sintomas aparecem entre 2 e 30 dias, sendo mais comum entre 7 e 14 dias após a exposição.
Para o infectologista Guilherme Augusto, alguns grupos são considerados mais vulneráveis. “Principalmente crianças e idosos, gestantes, pessoas com doenças crônicas, imunossuprimidos e quem permanece em áreas alagadas ou faz limpeza sem proteção adequada”, destaca.
A orientação para quem teve contato com água de enchentes é adotar medidas imediatas de higiene. “É importante lavar o corpo com água limpa e sabão o mais rápido possível, higienizar ferimentos com antisséptico, trocar roupas molhadas e observar sintomas por pelo menos 30 dias. Qualquer febre nesse período deve ser investigada”, orienta.
Na limpeza de casas e objetos, o infectologista ressalta a importância da proteção. “Sempre usar luvas, botas e, se possível, máscara. A limpeza deve ser feita com água e sabão, seguida de desinfecção com solução de água sanitária. Colchões, estofados e itens muito contaminados geralmente devem ser descartados”, orienta Guilherme.
O médico também faz um alerta sobre consumo de água e alimentos. “Qualquer alimento que teve contato com a água da enchente deve ser descartado, mesmo que esteja embalado. A água só deve ser consumida se for potável ou previamente fervida ou tratada”, explica.
Por fim, Guilherme Augusto orienta que alguns sinais exigem atendimento imediato. “Febre persistente, dor muscular intensa, vômitos repetidos, falta de ar, olhos ou pele amarelados, urina escura ou sangramentos podem indicar formas graves de infecção e exigem avaliação médica imediata”, conclui.
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